A dor para quem olha

Não há dor mais densa do que a presença de uma alma surda, aquela que se faz presente sem a sua anuência, que ataca não a dor, mas o ser, dizendo “não há dor”. Talvez não haja mesmo, pois não a tem, ela é agente mais ativo que o sujeito, talvez esteja e seja. De fato não há porque não se vê, mas ela é. Se eu soubesse como expulsá-la, também não sei se o faria, pois às vezes a dor é a única forma de ser, do ser. Sem ela, continuaria sem nada, mas com a falta de nada ser.

O problema é a dor, não como eu a expresso. Pois não causo mal a ninguém que não a causadora da própria.

Imagem: Louis Galvez

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