Lufadas de gente

Algumas pessoas conseguem estar em todos os lugares sem estar em lugar algum.

“Estar” para elas é parar e entrar em contato com algo que não se quer ver sem nunca perceber que não há o que temer pois ali não há nada além do vazio.

Porém é igualmente ameaçador ser perseguido pelo invisível, por vezes reconhecido, mas que acompanha o desconhecido. O medo é ser alcançado e engolido pelo espaço, então o sujeito o ocupa com distrações materiais, em uma sensação insaciável de acúmulo de ansiedades, pulsões não endereçadas, uma excitação explosiva que eventualmente o esgota, se esvazia.

Repete, sofre, e vê a necessidade de preencher-se novamente, como se tivesse a rotina de um balão, quando na realidade são feitos do mesmo material do ar, um nada inconstante e mutável.

Crédito da foto: Bruce Christianson

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