Poema feito como forma de conforto para meu pai, em luto por sua mãe, minha avó.
Você fez bem.
A missão que lhe foi conferida
tão cedo após a ferida.
Guardou, salvou, protegeu e amou.
Errou, mas ao olhar em volta, saberá que também acertou.
Dos dias mal dormidos,
até os olhos esquecidos,
nos abraços encolhidos
em sua dor acolhida.
Em sonhos vividos,
as lembranças comprimidas.
Uma alegria bonita,
uma dança esquisita,
a risada percebida.
O medo da partida
nos combinados sofridos.
Os finais planejados
aguardando o inevitável.
Mas veja só como acabou:
como tudo começou.
Não importa o que você não levou,
o nome que não chamou,
Aquilo que passou.
Veja o tanto de flor que ficou.
Você fez bem.
Crédito da imagem: Nathan Dumlao

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