O tempo dela

O tempo é um senhor cruel.
Impiedoso tal qual ele
é a memória minha,

Cada encontro mais um adeus,
menos palavras na partida.
Seus olhinhos vão fechando,
suas palavras ecoando.

“Vai com os anjos, vou orando”
“Dé pé no chão? Põe a meia”
“Me visite, estou esperando”
“Um feliz aniversário!”
“Um beijo grande no gatão’
“Menina, estou te olhando”

Fica só minha memória
e seu nome nem está na História.
Toda vez que eu te ligo,
não aguento, logo eu choro.

Sua voz está mansinha.
Seu assunto vem cortado.
A lembrança está escapando,
mas seu amor está intacto.
Meu coração esfacelando
quer você aqui brincando.
Você quer me ouvir cantando,
mas só aprendi porque eu te ouvi.

Eu te amo assim um tanto
que não cabe nem na lágrima
por isso derramo um monte
quando penso na sua falta.

Crédito da foto: Nathan Dumlao

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